Confira a cobertura do workshop e ciclo de palestras realizados durante os três dias de realização da feira.
O primeiro dia da feira foi destinado a discursos de abertura e discussões sobre tecnologia e financiamento. Hecliton Santini, presidente do IBGM, destacou que a Tecnogold 2005 é uma feira de oportunidades por apresentar o que o setor joalheiro tem produzido, além de levar informações para as pequenas e médias empresas possam fazer seus investimentos. Já Alfredo Mantovani, presidente do Sindijóias-SP, citou o novo perfil que a feira adotou nesta edição, com ciclo de palestras que visam a reciclagem tecnológica e a maior abrangência dos profissionais do setor, englobando, além dos industriais, empresários, designers e consumidores que puderam conferir como são produzidas as jóias.
O workshop Desenvolvimento Tecnológico de Máquinas e Equipamentos para as Indústrias de Lapidação e Joalheria e Mecanismos Inovadores de Financiamento e Acesso ao Crédito trouxe para São Paulo os principais debates do Fórum de Competitividade de Brasília, contando com a presença de representantes dos ministérios.

Sérgio Aspahan, diretor executivo da Lapidart, empresa de tecnologia em lapidação, citou a importância dos designers de jóias na indústria. Em seu discurso, Aspahan disse que o tratamento das pedras por estes profissionais “valorizam” a peça e que eles conseguem “reaproveitar rejeitos minerais”, algo importante dentro da indústria de jóias e gemas. E por último, ainda mostrou as diferenças entre a lapidação arcaica, que pode provocar intoxicação e doenças, além de prejudicar o material usado e o trabalho moderno, padronizado e baseado em instrumentos tecnológicos, que diminuem os riscos para o artista e para a pedra.

O Profº Robson Shaeffer, coordenador do curso de Engenharia de Controle e Automação da UNIVATES também deixou sua contribuição, apresentando projetos de novas máquinas e tecnologias para o setor.

Michael Labaki Júnior, diretor de administração e finanças da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos -, discursou sobre o financiamento e crédito para inovações e desenvolvimento tecnológico para o setor de gemas e jóias. O palestrante ainda comentou sobre o Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica, que na última edição, contou com a presença do presidente Luis Inácio Lula da Silva.

O moderador das palestras, Elzivir Azevedo Guerra, representante do Ministério de Ciência e Tecnologia no Fórum de Competitividade da Cadeia Produtiva de Gemas, Jóias e Afins reforçou os discursos de Shaeffer e de Labaki, De acordo com ele, o professor apresentou “um exemplo que temos que seguir de conciliação entre universidades e empresas, que pode proporcionar um salto de qualidade na lapidação”.

Um dos destaques do evento foi o estreitamento do setor com o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, representado por Bruno Melo, Elzivir Azevedo Guerra e Talita Saito. Alfredo Mantovani fez um pedido para que a instituição federal se uma ao setor com o objetivo de reduzir a carga tributária.

O segundo ciclo de palestras do cia focou as formas, os problemas e as soluções de financiamento para o setor. Jorge Pedro de Lima Filho, superintendente nacional de empréstimos da Caixa Econômica Federal, mostrou as possibilidades de financiamento para as pequenas empresas. Destacou “começamos na base da pirâmide, ao contrário dos bancos tradicionais”. Lima filho também expôs o novo projeto PROGER, opção para as empresas que focam ou pretendam visar o mercado externo.

Fernando Paulo Tomazoni apresentou uma opção vinda de fora e que se estabeleceu no território nacional, a SINCREDI, empresa do Alto Uruguai, presidida pelo palestrante. Tomazoni ainda afirmou a necessidade de “proteger o garimpeiro”, foco importante de créditos da companhia uruguaia, e de combater a informalidade do setor.

Para fechar o dia com debate, integraram à mesa Luis Maurício Cunha, assessor do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social -, Antonio Feitosa, do Banco do Brasil e José de Alencar Souza e Silva, consultor do SEBRAE. O destaque dado durante a discussão foi a necessidade de “linhas de créditos mais amplas com validações mais reduzidas”, como foi citado por Alfredo Mantovani.

Silas Lozano Paz, do departamento de Competitividade Industrial do Sistema FIESP/CIESP, apresentou a pesquisa sobre O perfil do mercado e hábitos do consumidor de jóias no Brasil, realizada pelo IBGM e FIESP com o apoio da Anglogold e do Sindijóis-SP. A pesquisa surgiu com o intuito de detectar as necessidades, desejos, atitudes, práticas de compra e tendências dos usuários de jóias. Ao todo foram entrevistados 800 consumidores e 200 canais de distribuição em território nacional, sendo o mais detalhado mapeamento dos hábitos, atitudes e comportamentos do consumidor brasileiro de jóias.

O sociólogo Dario Caldas, diretor do Observatório de Sinais focou sua análise no comportamento do consumidor jovem, por se tratar de um nicho de mercado cada vez maior e mais competitivo. Atualmente, o setor joalheiro brasileiro tem o desafio de agradar este público, descobrindo seus desejos e costumes. O palestrante ainda destacou as jóias da juventude, como adornos, enfeites e peças que traduzem a identidade deste consumidor.

A segunda parte do dia destacou os modernos métodos de projetar e desenvolver jóias. O assunto abordou a elaboração da peça, desde seu modelo até o tratamento da gema. O público lotou o auditório com capacidade para 200 pessoas e conferiu as novidades e os avanços tecnológicos no setor.
Além de apresentarem uma nova composição gasosa para o tratamento de ligas de ouro, o consultor Ademir Quental, Francisco Laterza Neto, diretor da 3M Recuperadora e Ary de Toledo Ribas, engenheiro da AGA destacaram a importância de um modelo perfeito para a produção de uma peça, a necessidade de reutilizar resíduos e ainda explicaram o funcionamento da técnica utilizada para o desenvolvimento de jóias.

Carlo Botti, engenheiro e proprietário da CRIA, ressaltou a falta de incentivo e a sobra de mão-de-obra e de máquinas, afirmando que o setor está “longe de sua capacidade produtiva”, além de comentar o medo nacional perante a China, grande exportadora mundial de jóias. No entanto, o palestrante demonstrou seu otimismo ao citar que “é preciso reagir a essa situação” e que o Brasil está pronto e capacitado para disputar no cenário internacional, aumentando o uso de equipamentos modernos e firmando uma identidade própria para as suas peças. Botti finalizou seu discurso elogiando os designers nacionais.

Ricardo Amaral, sócio diretor da Modellistica Protótipos Rápidos, despertou o interesse da platéia ao apresentar um novo equipamento de prototipagem rápida que agiliza a produção de modelos em cera de jóias em conjunto com o software, já utilizado por grande para das indústrias para o desenvolvimento de peças, o Rhinoceros.

A Umicore, representada pelo gerente Alfredo Neves, deu destaque ao controle de resíduos do setor, apresentando aspectos legais e explicando como devem ser dispostas as substâncias perigosas.

Finalizando o ciclo de palestras, Mauricio Favacho, gemólogo da EMBRARAD, mostrou as vantagens de gemas tratadas com radiação e combateu o mito em torno desse processo, que aumenta a possibilidade criativa dos designers, disponibiliza tons e cores diferentes e permite o uso de degradê.

O terceiro e último dia da Tecnogold foi voltado para os designers de jóias e à análise das peças como expressão cultural. As apresentações tiveram a participação de jovens estudantes, profissionais e artistas do setor.
Com base na monografia de Ângela Andrade, Regina Machado, consultora de estilo do IBGM, apresentou as influências culturais na jóia brasileira e sua diversidade. Da arte plumária e das pinturas corporais dos índios, das filigranas e granulações da fina ourivesaria portuguesa, dos braceletes “do tipo copo”, dos colares de guia e das pencas e balangandãs, cria-se uma estética jovem e inovadora: a joalheria contemporânea brasileira.

Os designers pioneiros da joalheria nacional, participantes da exposição Os Nossos Pioneiros, subiram ao palco para trocar experiências com o público e dividir seus pensamentos sobre a jornada de 40 anos do grupo. Os designers também expuseram sua visão sobre como o design de jóias está posicionado no Brasil e no mundo, dando seqüência a uma conversa muito aplaudida com platéia. O artista plástico e designer de jóia Michael Striemer foi o moderador do debate.






Marcelo Cordeiro Oliveira, especialista em novas tecnologias na área do design de produto, discursou sobre a utilização da computação gráfica no design de jóias e como tirar proveito das ferramentas e recursos existentes no mercado para a criação. Marcelo enfatizou a utilização do Rhinocerus e comentou sobre a versão mais recente deste software.

O empresário Flavio Eduardo Cassiano apresentou o Lightwave, software utilizado em mega produções de Hollywood (The Aviator, Alexander, I,Robot, Spider Man 2, The Incredibles, entre outros) e por centenas de estúdios de design no mundo todo. Para a indústria joalheira, é uma grande novidade. Na Europa, é utilizado para apoiar o designer de jóias em suas criações, mostrando ao cliente todos os detalhes antes mesmo do produto ser efetivamente produzido. Esta ferramenta simula com extrema perfeição como será a peça depois de pronta.

Adriano Mol, mestre em engenharia de materiais, finalizou as palestras mostrando como promover modelos de lapidação como estratégia de branding: cortes patenteados para o diamante, tanzanita e gemas coradas brasileiras.
